quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

No teu deserto




EXCERTO:
“Esta história que vos vou contar passou-se há vinte anos. Passou-se comigo há vinte anos e muitas vezes pensei nela, sem nunca a contar a ninguém, guardando-a para mim, para nós que a vivemos. Talvez tivesse medo de estragar a lembrança desses longínquos dias, medo de mover, para melhor expor as coisas, essa fina camada de pó onde repousa, apenas adormecida, a memória dos dias felizes.”

«Éramos donos do que víamos: até onde o olhar alcançava, era tudo nosso. E tínhamos um deserto inteiro para olhar.»

«Ali estavas tu, então, tão nova que parecias irreal, tão feliz que era quase impossível de imaginar. Ali estavas tu, exactamente como te tinha conhecido. E o que era extraordinário é que, olhando-te, dei-me conta de que não tinhas mudado nada, nestes vinte anos: como nunca mais te vi, ficaste assim para sempre, com aquela idade, com aquela felicidade, suspensa, eterna, desde o instante em que te apontei a minha Nikon e tu ficaste exposta, sem defesa, sem segredos, sem dissimulação alguma.»

«Parecia-me que já tínhamos vivido um bocado de vida imenso e tão forte que era só nosso e nós mesmos não falávamos disso, mas sentíamos-lo em silêncio: era como se o segredo que guardávamos fosse a própria partilha dessa sensação. E que qualquer frase, qualquer palavra, se arriscaria a quebrar esse sortilégio.»

«Eu sei que ela se lembra, sei que foi feliz então, como eu fui. Mas deve achar que eu me esqueci, que me fechei no meu silêncio, que me zanguei com o seu último desaparecimento, que vivo amuado com ela, desde então. Não é verdade, Cláudia. Vê como eu me lembro, vê se não foram assim, passo por passo, aqueles quatro dias que demorámos até chegar juntos ao deserto.»

Li este livro e achei que era quase a continuação do livro "Sul" que eu li também. Não considero um livro brilhante e confesso que esperava mais. Mas é um livro que se lê bem e não dei o tempo por mal empregue. Gostei muito mais do livro "Equador" e tenho o "Rio das Flores" para ler, com alguma expectativa.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

A Sul da Fronteira, a Oeste do Sol



"Na primeira semana do primeiro mês do primeiro ano da segunda metade do século XX, ao protagonista, que também faz as vezes de narrador, é dado o nome de Hajime, que significa «início». Filho único de uma normal família japonesa, Hajime vive numa província um pouco sonolenta, como normalmente todas as províncias o são. Nos seus tempos de rapazinho faz amizade com Shimamoto, com quem reparte interesses pela leitura e pela música. Juntos, têm por hábito escutar a colecção de discos do pai dela, sobretudo «South of the Border, West of the Sun», tema de Nat King Cole que dá título ao romance.
Mas o destino faz com que os dois companheiros de escola sejam obrigados a separar-se. Os anos passam, Hajime segue a sua vida. A lembrança de Shimamoto, porém, permanece viva, tanto como aquilo que poderia ter sido como aquilo que não foi. De um dia para o outro, vinte anos mais tarde, Shimamoto reaparece certa noite na vida de Hajime. Para além de ser uma mulher de grande beleza e rara intensidade, a sua simples presença encontra-se envolta em mistério. Da noite para o dia, Hajime vê-se catapultado para o passado, colocando tudo o que tem, todo o seu presente em risco."

Gosto da escrita desde senhor. É dele um dos livros que gostei mais de ler até hoje "Kafka à beira mar". Achei diferente e engraçado. Quanto a este livro a história em si não é nada de especial, poderia ser mais um romance, estilo que nem aprecio assim muito, mas a maneira como toda a história é relatada dá-lhe um toco muito especial e aconselho a quem ainda não o fez, a leitura deste e doutros livros destes escritor.

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Livro recomendado

Hoje vou recomendar um livro que a Teresa, mamã do Rafa e do Kiko e uma mulher com M grande, me sugeriu


«Para compreender uma criança temos de voltar ao país das memórias, reviver o que ficou para trás, habitar de novo medos de que nos esquecemos. Olhar com olhos de espanto, chamar filha a uma boneca, e replicar o milagre da criação dando-lhe voz. Para a compreender temos de voltar a pele do avesso, reduzir a dimensão do corpo na medida inversa em que cresce o sentimento. Cada criança é uma história por contar. Por vezes o Capuchinho Vermelho perde-se no bosque e não há beijo que resgate a Bela Adormecida.

Para muitas crianças a sua história pode não terminar bem, e não viverem felizes para sempre.

Este livro destina-se a essas crianças e a quem delas cuida: Pais, Professores, Psicólogos ou Médicos, que querem que todas as histórias tenham um final feliz, e não deixam o Espelho Mágico dizer a nenhuma criança que há alguém mais belo do que ela.»

A problemática das crianças com perturbações do desenvolvimento abordado de forma excepcional!

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Livros oferecidos no meu aniversário

Fiz anos a semana passada e como muitas pessoas conhecem a minha paixão por livros, recebi 4 novos exemplares de oferta e que quero ler o mais rapidamente possivel. Veja só quais foram eles:



- Netherland - Terra de Sombras de Joseph O'Neill
- Jesusalém de Mia Couto
- Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar? de António Lobo Antunes
- Furia divina de José Rodrigues dos Santos

O que tenho a dizer sobre estes livros:
- 1º livro - não conhecia mas já li criticas muito boas, venceu o Prémio Pen/Faulkner 2009 e foi finalista do Booker Prize, tem pois optimas referências;
- 2º livro - já li 2 livros deste escritor e gostei, tinha tido vontade de comprar e agora está na mina prateleira,
- 3º livro - nunca li nada deste escritor mas tem de haver uma primeira vez para tudo, certo?
- 4º livro - adorei, foi oferecido no dia em que o livro foi publicado e eu gosto bastante dos livros deste escritor;

E vocês, conhecem estes livros? Já leram? Tem vontade de ler algum deles????



quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

A criança que não queria falar




"Era uma criança de seis anos insociável, violenta, perdida num mundo de raiva e sofrimento... até encontrar uma jovem e brilhante professora.
Esta é a história verídica e comovente da relação entre uma professora que ensina crianças com dificuldades mentais e emocionais e a sua aluna, Sheila, de seis anos, abandonada por uma mãe adolescente e que até então apenas conheceu um mundo onde foi severamente maltratada e abusada. Relatada pela própria professora, Torey Hayden, é uma história inspiradora, que nos mostra que só uma fé inabalável e um amor sem condições são capazes de chegar ao coração de uma criança aparentemente inacessível. Considerada uma ameaça que nenhum pai nem nenhum professor querem por perto de outras crianças, Sheila dá entrada na sala de Torey, onde ficam as crianças que não se integram noutro lugar. É o princípio de uma relação que irá gerar fortes laços de afecto entre ambas, e o início de uma batalha duramente travada para esta criança desabrochar para uma vida nova de descobertas e alegria. Desde a sua publicaçã o, em 1980, o livro já vendeu 8 500 000 exemplares no Reino Unido e foi traduzido em 27 línguas, tendo sido um bestseller em vários países."

Comprei este livro antes de ir de férias na feira do livro do Continente, onde o livro do dia tinha sempre 50% de desconto. Confesso que não o teria comprado se não fosse o desnconto anunciado, mas o resumo até me pareceu atraiente. Li o livro rapidamente, que no fundo é a descrição de esperiencia de uma professora que tem a seu cargo crianças especiais. Não foi uma paixão, tenho de vos dizer, acho que esperava mais. Não me estou a ver a comprar mais livros desta escritora. Valeu pela experiência e já agora um comentário, que raio de tradução é aquela do titulo do livro??? Em inglês é "One child" e em português "A criança que não queria falar"??? E olhem que a miuda fala sempre, não chorava era nunca...

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

A fragância da flor do café



"Vitória ambiciona mais, muito mais. Vita, como toda a gente lhe chama, é filha de um dos mais ricos «barões do café». Possui uma beleza extraordinária, é inteligente, habilidosa nos negócios, com uma personalidade forte e independente, é já considerada o melhor partido do vale.

Brasil, ano 1884. No vale do rio Paraíba, os latifundiários e as suas famílias têm uma vida luxuosa e despojada de preocupações graças ao trabalho dos seus escravos nas plantações de café. Quando Vita conhece Leão Castro, um jornalista muito atraente e enigmático, a sua vida muda completamente. Leão é abolicionista e luta fervorosamente contra a escravatura e, como tal, contra os interesses da família de Vita. Apesar destas divergências intransponíveis, os dois apaixonam-se perdidamente. Desde o início que o amor dos dois jovens está marcado por desencontros. Uma e outra vez os caminhos de Vita e Leão cruzam-se e separam, mas nem o tempo, nem as voltas do destino podem com a sua paixão.
Perante a transformação do paradisíaco vale do rio Paraíba e do pitoresco empório do Rio de Janeiro, da época dourada das plantações de café e da sua ruína depois da abolição da escravatura, têm lugar a saga de uma família de fazendeiros e a história de um grande amor.
A Fragrância da Flor do Café é um romance tão delicioso como o aroma do café acabado de moer: sensual e cheio de força, excitante e agridoce"


Aqui está um livro que se lê bem, sem grandes pretenções. Um livro bom para se ler nas férias, sem muitas preocupações, mas bem engraçado. O final fez-me lembrar um pouco as novelas, em que tudo se arrasta durante algum tempo e em meia duzia de folhas resolve-se tudo. Mas não dei o meu tempo por perdido, ao ler este livro

quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

Crepusculo

Tanto tinha ouvido falar deste livro e da saga por ele iniciada, que resolvi comprar para ler.



Se calhar não vale a pena colocar aqui um resumo, pois já toda a gente ouvi falar deste livro e dos 3 que se lhe seguem. Trata da história de uma humana adolescente que se apaixona por um vampiro, com todas as implicações que dai advemem.

Não me prendeu. Os primeiros capitulos arrastaram a história de uma atracção que não atava nem desatava. A partir do meio do livro comecei a gostar mais do enrredo e acabei a pensar que afinal não foi tempo perdido. Não é de longe nem de perto a obra prima que aprogoam. Lê-se bem, com uma escrita ligueirinha e claro que quero ler o resto. Mas confesso que esperava mais e fiquei um bocadinho desiludida. De qualquer maneira lá em casa já mora o 2º livro "Lua Nova" que vai na mala comigo para férias.

Boas leituras